Economia, Consumo e Comportamento no Brasil
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Economia, Consumo e Comportamento no Brasil

janeiro 2026
Autor

Rodigo

Executivo e empreendedor com mais de 20 anos de experiência em tecnologia e marketing. Como CEO da Headcore Digital, lidera projetos de brandformance, transformação digital e inteligência artificial, integrando criatividade, dados e estratégia para gerar resultados consistentes.

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2026

Ato 1: Contexto e Escopo

O cenário brasileiro para 2026 se desenha sobre um paradoxo: a resiliência macroeconômica, marcada por um mercado de trabalho robusto e crescimento do PIB, contrasta com uma crescente pressão sobre a saúde financeira das famílias. Este relatório oferece um panorama completo sobre as principais tendências de economia, consumo e comportamento do consumidor brasileiro para 2026, integrando projeções macroeconômicas e comportamentos emergentes.

BR
/// ECONOMIA DO APERTO ///
/// SPLURGE ESTRATÉGICO ///
/// HIPERDIGITALIZAÇÃO ///
/// WELLNESS BURNOUT ///
/// EXPERIÊNCIA > PREÇO ///

Ato 2: As Macrotendências de 2026

01

Economia do Aperto

Minimalismo Financeiro Forçado

15%
Selic (Fim 2025)
79.5%
Famílias Endividadas
51%
Renda Insuficiente

Forças-Motrizes Econômicas

O consumidor brasileiro em 2026 viverá sob o peso de uma economia restritiva. A taxa Selic, mantida em patamares elevados (15% ao fim de 2025), e uma inflação percebida que, embora em queda, se mantém resiliente (4,8% para 2025), criam um ambiente de crédito caro e poder de compra corroído.

O endividamento das famílias atingiu um pico histórico, com 79,5% dos lares reportando dívidas a vencer em outubro de 2025. Mais alarmante, 51% dos brasileiros afirmam que sua renda mensal não é suficiente para cobrir os gastos, um aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2023. Este cenário força uma reavaliação drástica dos orçamentos familiares.

Análise Comportamental Profunda

O mecanismo psicológico dominante é a ansiedade financeira, a principal fonte de preocupação para 49% dos brasileiros. Este “vilão silencioso” manifesta-se em insônia (50%), depressão (21%) e frustração.

O comportamento resultante é uma gestão de sobrevivência. Emerge o trade-down estratégico, uma busca consciente por alternativas mais baratas. A WGSN chama este movimento de “Spaving” (gastar para economizar), onde o consumidor se orgulha de fazer compras inteligentes e investir em qualidade que dura, mesmo que o custo inicial seja maior.

Comportamento por Classe Social

Classes D/E
Foco em sobrevivência, troca de marcas por necessidade, busca por promoções.
Classe C
Trade-down estratégico, busca por qualidade acessível, adiamento de compras maiores.
Classe B
Redução de gastos discricionários, priorização de experiências sobre bens, seletividade.

Impacto no Mercado & Evidências

Setores de bens de consumo não essenciais enfrentarão forte pressão. O varejo sentirá uma desaceleração nas vendas, e a economia da recorrência será testada: 37% dos cancelamentos de assinaturas já são motivados por mudanças no orçamento.

Sinais Culturais
  • Reclame Aqui: Aumento de queixas sobre preços e qualidade de produtos de baixo custo.
  • Redes Sociais: Proliferação de influenciadores de “finanças para o dia a dia” e “achadinhos”.
  • Google Trends: Aumento em buscas por “como economizar dinheiro”, “marcas mais baratas”.
  • Narrativas: Valorização da frugalidade e consumo consciente como sinal de inteligência.

Implicações em Estratégia e Design

  • Design de Serviço Simplificar jornadas, oferecer opções de pagamento flexíveis (PIX parcelado) e programas de fidelidade com economia real.
  • Comunicação Tom pragmático e de cuidado financeiro. Mensagens focadas em provas de valor e durabilidade. Transparência sobre preços e custos vira ativo de marca.
  • Produto/Tecnologia Ferramentas de controle de gastos. Produtos modulares que permitem comprar apenas o necessário ganharão tração.
02

Consumo Seletivo

O Paradoxo do Splurge Estratégico

1.6%
PIB 2026 (Est.)

Paradoxo: Não param de consumir, mas tornam-se curadores rigorosos para permitir indulgências.

Forças-Motrizes Econômicas

A economia brasileira em 2026 apresentará um comportamento dual. Por um lado, uma desaceleração do crescimento do PIB para 1,6%. Por outro, o varejo continua a registrar crescimento de receita, impulsionado mais pela alta de preços do que pelo volume de unidades vendidas.

Este paradoxo é sustentado por um mercado de trabalho resiliente. No entanto, com a renda apertada, o consumidor é forçado a fazer escolhas, cortando em áreas substituíveis para permitir indulgências que geram maior valor emocional ou status.

Análise Comportamental Profunda

O comportamento central é a compensação emocional através do consumo. Diante de ansiedade e restrições, o consumidor busca “microcelebrações” e indulgências que validem seu esforço.

Pesquisa McKinsey revela corte drástico em categorias como carne, mas aumento na intenção de splurge em vestuário, beleza e calçados. Diferente de EUA/Europa, o brasileiro foca em bens tangíveis, com exceção de viagens internacionais, única categoria de experiência com alta intenção.

Categorias de Splurge Prioritárias por Geração

Geração Z
Moda, beleza, calçados, autoexpressão.
Millennials
Viagens, experiências, tecnologia, produtos com propósito.
Gen X / Boomers
Itens para casa, bem-estar, viagens (com foco em conforto).

Impacto no Mercado & Evidências

Setores como beleza e cuidados pessoais estão posicionados para crescimento. O turismo internacional também verá aumento na demanda. Alimentação fora de casa (não premium) e bens de baixo valor enfrentarão forte concorrência.

Sinais Culturais
  • YouTube/TikTok: Aumento de vídeos de “unboxing” e “hauls” justificados como “eu mereço”.
  • Instagram: Proliferação de posts sobre planejamento de viagens internacionais.
  • Fóruns (Reddit): Discussões sobre economizar no mercado para comprar itens de desejo.
  • Narrativas: “Luxo acessível” e produtos que oferecem sensação de pertencimento a status superior.

Implicações em Estratégia

  • Design de Serviço Criar jornadas que reforcem o sentimento de recompensa. Programas de fidelidade devem oferecer benefícios aspiracionais, não apenas descontos.
  • Comunicação Linguagem que valide a decisão de splurge. Mensagens como “Você trabalhou por isso” ou “Um investimento em você”. Marketing de influência é crucial.
  • Produto/Tecnologia Personalização para aumentar a percepção de valor. Realidade aumentada para experimentar produtos de beleza/moda.
03

Hiper Digitalização

Jornadas de Compra Fragmentadas

75%
Pesquisas via Insta
48.5%
Uso de IA p/ Marcas

Forças-Motrizes Econômicas

A digitalização é um caminho sem volta. O social commerce consolida-se, com o Instagram responsável por 75% das pesquisas e 55% das compras via redes sociais. A IA generativa emerge como nova força, com 48,5% dos brasileiros já a utilizando para buscar informações sobre marcas, criando um ecossistema complexo e não linear.

Análise Comportamental Profunda

A principal característica é a fragmentação da jornada por geração. Cada coorte cria “bolhas” de consumo com regras próprias:

  • Geração Z (18-26): Lidera descoberta em redes sociais (87% Instagram, 80% TikTok) e IA como “consultor digital” (67,2% comparam produtos).
  • Millennials (27-42): Híbridos. Usam Instagram (83,5%), YouTube (73,5%) e Google (72%). Confiam mais em IA (58%) que em pessoas próximas.
  • Geração X (43-58): Confiança em canais tradicionais (84,5% Google) e validação presencial.
  • Baby Boomers (59+): Google como porta de entrada (77,5%), mas rápida adoção de compras online e IA para preços (48%).

Impacto no Mercado & Evidências

O marketing de massa digital tornou-se obsoleto. O omni-shopping é obrigatório (73% gastam mais sendo omnicanal). A personalização impulsionada por dados deixa de ser diferencial para ser expectativa básica.

Sinais Culturais
  • TikTok: Hashtag #TikTokMadeMeBuyIt como indicador viral.
  • YouTube: Creators especializados em nichos geracionais.
  • WhatsApp: Comunidades de marca para relacionamento direto.
  • IA: ChatGPT/Gemini usados para roteiros, comparações e redação de reclamações.

Implicações em Estratégia

  • Design de Serviço Mapear jornadas específicas por geração. Transição fluido entre físico e digital sem atritos.
  • Comunicação Linguagem e influenciadores adequados para cada plataforma. Millennials buscam conteúdo educativo/útil; Gen Z busca autenticidade/entretenimento.
  • Produto/Tecnologia Stack de martech para coleta de dados e hiperpersonalização. Integração de IA para atendimento e recomendação.
04

Bem-Estar Acessível

A Fuga da Ansiedade Coletiva

49%
Maior Preocupação: Dinheiro
72%
Finanças Afetam Mente

Forças-Motrizes Econômicas

A saúde financeira precária tornou-se um problema de saúde pública. Com o dinheiro sendo a maior preocupação para quase metade da população e 72% relatando impacto mental negativo, o estresse financeiro consolidou-se como “vilão silencioso”. Há demanda latente por alívio que caiba no orçamento.

Análise Comportamental Profunda

O consumidor está exausto. A WGSN identifica o “Wellness Burnout”, onde a busca incessante por ser saudável gera mais ansiedade. Emerge a busca por uma “Vibe Positiva” e fuga para o intangível: conexões emocionais, experiências sensoriais e espiritualidade (apps de astrologia em alta) como refúgio do caos.

Manifestação do Comportamento por Idade

18-24 (Gen Z)
Busca por autenticidade, saúde mental como prioridade, rejeição a padrões inatingíveis.
25-44 (Millennials/Gen X)
Tentativa de equilibrar trabalho/família levando ao burnout. Busca por praticidade e soluções “tudo em um”.
45+ (Gen X/Boomers)
Foco em longevidade e saúde preventiva. Sensibilidade a preço. Abertos a clínicas em varejo.

Impacto no Mercado & Evidências

Democratização forçada do bem-estar. A oportunidade não está no luxo, mas em soluções que removam pressão. Varejo farmacêutico e alimentar podem virar hubs de bem-estar. Transparência e “declarações honestas” constroem fidelidade.

Sinais Culturais
  • Redes Sociais: Saturação de “produtividade tóxica” e busca por rotinas gentis.
  • YouTube: Canais de meditação guiada, ASMR e “slow living”.
  • Reclame Aqui: Queixas sobre complexidade e custo de academias/saúde.
  • Narrativas: Valorização do “dolce far niente” e hobbies analógicos (jardinagem).

Implicações em Estratégia

  • Design de Serviço Criar experiências que acalmem. Lojas com design biofílico, menos estímulos e atendimento empático.
  • Comunicação Tom de voz acolhedor e realista. Foco em bem-estar possível, removendo culpa e pressão. Posicionar-se como parceiro na saúde mental.
  • Produto/Tecnologia Produtos que promovam relaxamento/sono. Apps que ofereçam pausas e introspecção em vez de tarefas.
05

Experiência > Preço

A Nova Equação de Valor

69%
Possuem Assinaturas
70%
Decisão por Indicação

Forças-Motrizes Econômicas

Em um mercado saturado, o preço deixa de ser o único fator de decisão. A consolidação da economia da recorrência (69% com assinaturas) treinou o público a avaliar o valor contínuo. A facilidade de cancelamento coloca sobre as empresas o ônus de justificar relevância mês a mês. A qualidade da experiência emerge como principal campo de batalha.

Análise Comportamental Profunda

Para o brasileiro, a experiência no acesso e consumo (30%) é mais importante que o menor custo (20%). Uma jornada sem atritos vale mais que desconto.

A prova social é gatilho poderoso: 70% assinam por indicação, 53% desistem pela mesma razão. O consumidor é estratégico: 66% usam “teste grátis” taticamente. Ele só permanece onde percebe valor claro.

Impacto no Mercado & Evidências

O Churn é a principal métrica de saúde. Motivos de cancelamento: insatisfação com serviço (49%) e sensação de não aproveitar (39%). “Insatisfação” inclui falhas na cobrança e falta de clareza.

Sinais Culturais
  • Reclame Aqui: Volume de queixas sobre atendimento e dificuldade de cancelamento.
  • Redes Sociais (X/Instagram): Exposição pública de experiências ruins, crises de reputação em tempo real.
  • Fóruns: Dicas para burlar cancelamentos difíceis.
  • Narrativas: Termo “passar raiva” popularizado. Elogios efusivos a marcas que resolvem rápido.

Implicações em Estratégia

  • Design de Serviço Investir em design de serviço, automação de pagamentos (retentativa) e renovação fácil.
  • Atendimento Suporte proativo. A diferenciação desloca-se do produto para a experiência que o envolve.

Motivos de Churn

Insatisfação
49%
Subutilização
39%
Abstract Data City

Referências & Dados

  • [1] IPEA. (2025, Outubro). Projeção do Ipea atualizada: PIB deve crescer 2,2% em 2025 e 1,6% em 2026.
  • [2] ISTOÉ DINHEIRO. (2025, Novembro). Quase 80% das famílias do Brasil estão endividadas; inadimplência chega a 30,5%.
  • [3] G1. (2025, Julho). Metade dos trabalhadores aponta o dinheiro como maior causa de preocupação.
  • [4] Guia da Farmácia / WGSN. (2025, Setembro). Tendência: WGSN aponta as prioridades de consumo para 2026.
  • [5] Vindi. (2025, Agosto). Pesquisa de Assinaturas 2025: Futuro da Recorrência.
  • [6] McKinsey & Company. (2025, Agosto). Brazilian consumer sentiment: Growth amid pressures.
  • [7] Central do Varejo. (2025, Novembro). Redes sociais influenciam metade das compras online no Brasil.
  • [8] CartaCapital. (2025, Outubro). Pesquisa mostra como cada geração compra e se informa no ambiente digital.
  • [9] McKinsey & Company. (2025). Dados de intenção de compra e digitalização.
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